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Família Uggioni

GERAL

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A história de Alexandre Uggioni

Seu Alexandre nasceu na Vila Macarini, em 20 de agosto de 1928. Filho de Júlio Uggioni e Rosa Bonfante Uggioni e tem 12 irmãos. Por volta de 1935, a família veio residir próximo ao colégio Giacca, onde reside atualmente.

Trabalhou na lavoura até 1942 e como as terras do Rio Maina não eram férteis arrendaram terras  do Sr. Estevão Uggioni, entre São Martinho e Nova Veneza. O arrendamento era da seguinte forma: uma parte para o proprietário da terra e duas partes para os que trabalhavam a terra. Para estas tarefas ele e os irmãos partiam de madrugada de Rio Maina em direção as terras arrendadas, voltando para casa somente após o sol se esconder, e ao chegarem já tarde da noite as tarefas não estavam concluídas, pois tinham que preparar o trato para os porcos, que era cozido em tachos de ferro. Só daí que iam lavar os pés para, em seguida, comer uma minestra e ir dormir para na madrugada seguinte começar tudo novamente.

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 Aos 14 anos de idade, final do ano de 1942, começou suas atividades na mineração, de propriedade do Srs. Bortoluzzi e Colombo; e em seguida Marco Búrigo e mina Boa Esperança. Bortoluzzi e Colombo fundaram a Carbonífera Catarinense e o Sr. Alexandre foi fichado na Carbonífera por Euclides Crevanse, Administrador do escritório.  Seu salário era de 8,00 cruzeiros ao dia, como ajudante de mineiro.

Na época o trabalho no subsolo era de pé no chão e a sola do pé tinha um cascão que pequenos espinhos e pedregulhos não afetavam a sensibilidade dos pés. A alimentação era enviada por sua mãe, duas vezes ao dia. As 8h se comia polenta, salame e ovos, e na hora do almoço a dose era repetida.

No dia 22 de março de 1949 Alexandre se casou com Pelegrina Bonfante Uggioni, filha de João Pedro Bonfante.  Neste período o Sr. Alexandre já exercia a função de mineiro, com um salário bem melhor e em 1953 foi promovido a ajudante de  Feitor.

Seu Alexandre nunca sonhou que a extração do ouro negro chegaria a esta modernidade dos dias de hoje, com toda esta parafernália de maquinário, necessário para extração do carvão. Em sua época todo o arsenal necessário era picareta, marreta, alavanca, pá, e trado para perfuração e quando necessário usava-se explosivos e o famoso “gais”, equipamento para iluminação nas profundezas da terra.

Todo o trabalho feito manualmente onde o carvão era separado da pedra, transportado manualmente para a superfície em vagonetes, descarregado no chão e depois carregado novamente em carros de bois e transportado até o Bairro Pinheirinho para ser novamente  carregado nos vagões da estrada de ferro. Em seguida, viagem até o porto de Imbituba e viagem em navio com destino até o Rio de Janeiro, pois tudo dependia do carvão. 

O tal “gais” funcionava com carbureto fornecido pela empresa, que além de ser usado no subsolo era de serventia para iluminação nas casas das famílias, e nos fins de semana no período noturno para passear na casa de vizinhos,  pois se percorria longos trechos por carreiros (picadas) na floresta.

Outro fato interessante é que este mesmo aparelho de iluminação servia para iluminar o namoro das filhas na sala,  bailes, festas de casamento, velórios e tudo quanto necessário, e cada mineiro zelava pelo seu equipamento com muito carinho.

As ferramentas quando desgastadas eram  levadas  para a ferraria, de propiedade da empresa para receber o tratamento necessário. Na época uma das profissões bem valorizadas nas mineradoras era ser Ferreiro, pois tinha o dever de preparar as ferramentas de tal maneira que facilitasse o trabalho no subsolo.

Aos domingos,  no período da tarde o trabalhador  se embrenhava na  floresta em busca de madeira de boa qualidade para secar na sombra. Após a secagem era produzido cabos de ferramentas com ótima resistência.

Assim se levava a vida na época, muito trabalho e muitas rezas  de terço em família a  noite antes de dormir.

Essa a história contada por seu Alexandre Uggioni.

Segue os Provérbios do dialeto italiano, enviados pelo sr. Elio Daleffe.

“S´el povero mangia polastro, o l´é malá lu, o l´ alto”. (Se o pobre come frango, ou o frango é doente  ou o pobre é doente).

Chi ga  `l pan no ga i denti, Ci ga i denti no ga `l pan”. (Quem tem  pão não tem dentes, quem tem os dentes não tem o pão).

I soldi e  l´amicizia orbisce anca la giustizia - Dinheiro e amizade deixa também a justiça cega.

Siór senza soldi,lumin senza óio - Rico sem dinheiro é como uma lamparina sem querozene, não ilumina.

alexandre uggioni

antônio pierini

dialeto bergamasco