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Evento na Acic reforça importância da aprendizagem profissional para jovens e empresas

Terceira edição do Jovem Aprendiz no Mercado de Trabalho reuniu gestores, profissionais de RH, poder público e instituições para discutir a ampliação do programa

Apoiadora do evento, a Associação Empresarial de Criciúma (Acic) sedia nesta quarta-feira, 14, a terceira edição do “Jovem Aprendiz no Mercado de Trabalho”, promovido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (TRT-SC) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-SC), em parceria com instituições públicas e privadas. O papel da aprendizagem no desenvolvimento das empresas e da sociedade norteia os debates.

“Para a Acic, é uma satisfação muito grande receber eventos como esse e ser palco da discussão de temas relevantes como a inserção dos jovens no mercado de trabalho. É um assunto que diz respeito não somente a eles, mas também ao futuro das nossas empresas e ao desenvolvimento da nossa região”, afirma o presidente da Acic, Franke Hobold.

A Lei 10.097/2000 estabelece que empresas de médio e grande porte devem contratar jovens aprendizes em percentual equivalente a 5% a 15% dos trabalhadores cujas funções demandam formação profissional. Em Santa Catarina, 20.574 empresas estão enquadradas nos critérios legais. Dados de 1º de junho de 2026 apontavam uma cota prevista de 63.926 vagas, das quais 39.324 estavam preenchidas, deixando 24.602 oportunidades ainda abertas no Estado.

“Sabemos da demanda que temos por mão de obra e que esses jovens aprendizes podem contribuir hoje e no futuro, trazendo seus talentos para as empresas do Sul de Santa Catarina. No Estado, temos um déficit muito grande na colocação de jovens aprendizes e nós, como empresários, precisamos nos conscientizar da importância da nossa participação nesse processo. Quem já investiu sabe o retorno gerado por essa iniciativa”, ressalta Hobold.

Inclusão que vai além da cota

Voltado especialmente a profissionais de Recursos Humanos, o encontro reuniu representantes do setor empresarial, do poder público e de instituições que atuam na formação e inclusão de jovens, buscando ampliar a compreensão sobre o papel da aprendizagem profissional para além do atendimento a uma obrigação legal.

“A inclusão do jovem aprendiz no mercado de trabalho não é meramente o cumprimento de cotas legais. Além de um papel social relevante, também é muito importante para as empresas e pode resultar em benefícios para todos”, avalia a juíza do Trabalho da 1ª Vara do Trabalho de Criciúma e gestora auxiliar do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem do TRT-SC, Janice Bastos.

Segundo ela, uma das atribuições do programa é justamente promover a conscientização e a aproximação com a comunidade e as empresas. A perspectiva também é reforçada pela presidente da ABRH Sul Catarinense, Tânia Aquino. 

Para ela, a aprendizagem permite que os jovens conheçam diferentes realidades profissionais, compreendam culturas organizacionais e levem para a prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula. “Isso é muito significativo para um jovem em início de carreira, mais do que uma vaga de emprego ou o cumprimento de uma obrigação”, pontua.

Representando a OAB Criciúma, a presidente da Comissão da Advocacia Atuante na Justiça do Trabalho, Ana Paula Mariana, chama atenção para o impacto que a abertura dessas portas pode gerar. “Quem pode dar essa oportunidade que o faça, pois vai fazer diferença não só na vida dos jovens como contribuir para as próprias empresas e a comunidade”, declara.

A procuradora do Trabalho da 12ª Região Ana Roberta Tenório Lins Haag aponta a aprendizagem como instrumento de proteção e inclusão social.

“A Constituição brasileira prevê que o desenvolvimento econômico tem que estar alinhado ao desenvolvimento social. Também estabelece que o Estado, a família e a sociedade têm o dever de proteger a infância e a profissionalização dos jovens. A ponte entre a infância protegida e o mundo do trabalho formal é a aprendizagem, uma das maiores políticas públicas de inclusão social que nós temos”, considera.

Conexão Aprendiz

Um dos momentos da programação foi a assinatura de convênio entre o TRT-SC e o Município de Criciúma para o desenvolvimento do programa Conexão Aprendiz, iniciativa voltada à contratação de jovens por meio da chamada cota social.

“Precisamos preparar os espaços para as futuras gerações, tendo em mente que as percepções, o acesso à informação e o próprio mundo do trabalho mudam. Com o combate ao trabalho infantil e o estímulo à aprendizagem, possibilitamos aos jovens descortinar suas habilidades cognitivas e funcionais para acompanhar essa transformação”, observa o prefeito de Criciúma, Vagner Espíndola.

A cota social e as possibilidades de ampliação da aprendizagem profissional também foram abordadas pela auditora-fiscal do Trabalho e coordenadora estadual dos projetos de Combate ao Trabalho Infantil, Aprendizagem Profissional e Inclusão de Pessoas com Deficiência no Mundo do Trabalho em Santa Catarina, Luciana Xavier Sans de Carvalho.

A programação contou ainda com um painel conduzido pela diretora executiva da Abadeus, Shirlei Maria Helena Guimarães Monteiro, reunindo instituições qualificadoras como Satc, CIEE, Bairro da Juventude, Instituto Maximiliano Gaidzinski e Gerar.

Experiência das empresas

O encontro também abriu espaço para compartilhar experiências práticas de inserção de jovens no mercado de trabalho. O superintendente do Nações Shopping, Mário Sorato Gaidzinski, apresentou um case de aprendizagem profissional, com a participação do jovem aprendiz Carlos Alexandro da Silva Pegoraro.

Encerrando a programação, as profissionais Aline Archer, psicóloga e mentora de carreira e negócios, e Jeisa Benevenuti, doutora em Psicologia e consultora em desenvolvimento humano, liderança, gestão de pessoas e inovação corporativa, conduziram a palestra “Gestão emocional: o alicerce de equipes fortes”.

Além da Acic, apoiaram a terceira edição do Jovem Aprendiz no Mercado de Trabalho a ABRH Sul Catarinense, Abadeus Centro de Inovação Social, OAB-SC – Subseção de Criciúma, Superintendência Regional do Trabalho e Emprego e Prefeitura de Criciúma.

 

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